Recentemente foi convidado pela Serra do Facão Energia, para desenvolver uma fotografia que retratassem a fusão da luz do céu de Catalão (o mais lindo do Brasil) e a luz gerada pela energia elétrica, produto que a empresa oferece.
Pauta definida e aceita de imediato. O problema é que era o tempo disponível para o trabalho, 03 dias. Ou seja, teria apenas três oportunidades de ver o sol se pondo. Fiquei preocupado evidentemente, pois dependia de fatores naturais, e estes são incontroláveis. Defini então três locais que poderiam gerar uma boa vista da cidade e da linha do horizonte: os morros de São João, Três Cruzes e Santo Antônio.
Primeiro dia, 16 de julho de 09, alto do morro de São João.
Corri para o ponto mais alto da cidade, o morro de São João. Cheguei por volta das 17h30. O sol estava se pondo. O céu estava lindo, mas as luzes da cidade ainda estavam esmaecidas demais para serem aproveitadas. Outro fator que não havia pensando é que o sol se põe atrás do morro, enquanto que a cidade está a sua frente. Fiz uns cinquenta disparos, nada satisfatórios, ainda que úteis para perceber que a melhor hora para obter a luz ideal seria entre 18h20 e 18h35, quando já estava escuro mesmo. Assim captaria as luzes da cidade e com a câmera programada ema longa exposição ainda conseguiria a luz do sol. Deste dia salvei apenas a foto abaixo:

Segundo dia, 17 de julho de 09, alto do morro das Três Cruzes:
Na segunda tentativa, foi até o alto do morro das Três Cruzes. Há uma vista que sempre me encantou, próximo a uma casa de pedras, em frente à igreja Presbiteriana. Tinha tudo para dar certo, a cidade a minha frente e o sol se pondo ao fundo da cena. Montei a câmera no tripé, encontrei o ângulo ideal explorando bem a planície iluminada da cidade e a linha do horizonte pouco acima da metade da cena. Também conversei com alguns visinhos preocupados com aquele sujeito no meio da rua com um equipamento estranho (fotógrafos ainda causam estranhamento).
Tudo pronto, agora era só esperar a hora e a luz ideal. À hora chegou, mas como tudo estava correto demais, algo tinha que dar errado, e deu. Justamente o céu resolveu me complicar, justamente ele, o segundo fator mais importante da cena. Estava embaçado, com uma luminosidade opaca, sem vida. Incomum para esta época do ano em que o tempo seco lança muitas partículas no ar, provocando uma espécie de prisma luminoso e colorido.
Nesta tarde nada se aproveitou. Então bateu o desespero, tinha apenas mais uma oportunidade. Fiquei tenso, tanto que mal dormi na noite seguinte. Acordei por volta das 4h da manhã do dia 18 de julho e não dormi mais naquela noite. Então tive uma idéia: e se eu fosse fotografar o sol nascente do alto do morro de São João? Teria a luz e a cidade a minha frente.
Madrugada de 18 de julho de 09.
Saí de casa por volta das 5h30, chegando ao morro, uma decepção, por causa da ação dos vândalos, o acesso ao cume está bloqueado com correntes durante a noite. Teria que subir a pé. Então bateu um medo de ser assaltado, sei lá, nossa cidade já não é tão pacata assim.
Rompi o temor (isso sempre me dá prazer), encostei o carro no posto de gasolina e subi as escadarias a pé. Chegando ao cume, o encantamento. Uma luz maravilhosamente suave dividia a linha do horizonte e a base da igreja, com a lua ainda visível, pouco acima de sua torre. Um momento de êxtase total para este amante da fotografia.
Não podia perder tempo, sabia que aquela luz duraria muito pouco. Fiz o primeiro disparo:

Em seguida outro ângulo, um pouco mais aberto, enquadrando também o coreto e as grandes cruzes:

Estava tão empolgado e encantado com a igrejinha que nem percebi que o sol já despontava no horizonte, fazendo com que as luzes elétricas ficassem fracas e sem cor. Perdi então a oportunidade do propósito inicial. Ainda assim, fiquei bastante satisfeito com as fotos da poética igrejinha no cume do Morro da Saudade.
Quando estava desmontando o equipamento e me preparando para a descida, aproximou-se o vigilante noturno, Sr. Marcos Aires de Souza. Foi logo me chamando de Lente Alerta. Fiquei surpreso por ele ter me reconhecido na penumbra do fim de noite. Começamos a conversar e ele comentou que sempre vê os ensaios no jornal. Para minha surpresa contou-me que tem mais de 30 livros de autores catalanos, alguns raros e até repetidos. Falei-lhe do meu interesse por livros e combinamos uma visita a sua casa.
Mais tarde, recebi uma ligação do Jornal DC. Haviam deixado um envelope em meu nome na recepção, estranhei. Quando retirei, minha maior surpresa. A segunda edição do livro “Vultos Catalanos” de Coelho Vaz, publicado em 1984 e com edição esgotada há tempos. Presente do vigilante noturno da Colina dos Poetas.
Duplamente realizado, pelas fotos e pelo presente repentino. Tive a certeza da veracidade do ditado que diz: “Deus ajuda a quem cedo madruga”.
Terceiro e último dia, 18 de julho de 09. Alto do morro de Santo Antonio.
Era minha última oportunidade. As fotografias produzidas até o momento não davam opções de escolha. Era preciso aumentar o material. No alto do morro de Santo Antonio, esse lugar sempre me dá sorte, vi as melhores condições para realização da fotografia desejada.
A cidade se estendendo na linha do horizonte, o rastro das luzes dos carros, provocada pelo longo tempo de exposição do sensor fotográfico. Uma pequena elevação no centro com uma torre de energia no final da avenida, dava um ponto de fuga perfeito para a perspectiva da cena.
Tudo era tão belo que precisei de apenas duas fotos, sendo uma enquadrando a torre na extrema direita, e outra da torre na extrema esquerda da cena. Com a junção das fotografias, através do Photoshop, obtive a bela panorâmica abaixo.

As duas fotos trazem as mesmas especificações técnicas, sendo: ISO 100 – tempo de exposição de 25s – abertura do diafragma em F/11. Catalão, 18 de julho de 09, 18h35m.
Voltei para casa satisfeito com os resultados. No dia combinado, encontrei-me com a assessoria de comunicação que aprovou as imagens, algumas já podem ser vistas pelas ruas da cidade em outdoors que homenageiam os 150 anos de Catalão.
Por fim, escolheram também a fotografia do por do sol no morro de São João, publicada na 1ª edição da Revista Infocco.

Cânon EOS 30D. Lente 70-300 mm – ISO 250 – Tempo de exposição 1/320 s – abertura do diafragma F/10. 22 de julho de 2007, 17h45mim.